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quarta-feira, 16 de maio de 2012
Aquele Moletom
Eu guardei. Está comigo todos esses anos. No início eu tinha mania de cheirá-lo antes de usar para dormir. Quando você me emprestou, ainda era novinho, tinha aquele cheiro de loja. Não me recordo se sentia o teu perfume nele, mas só as lembranças já me eram o suficiente.
Teve ainda aquele episódio que você me pediu ele de volta. Num tom bem direto, expondo isso numa rede social qualquer. Eu apaguei o recado, te deletei dos meus contatos e nunca mais toquei no assunto com mais ninguém.
Ele continuava comigo, ocupando um bom espaço! Devido a tua altura e porte o volume da peça ocupava uma prateleira inteira das minhas roupas de inverno. Na época, devido algumas mágoas até pensei, por um segundo, em queimar o abrigo- pra me livrar logo dele. (E de ti). Mas refleti melhor e vi que essa atitude seria ainda mais infantil do que a birra de não ter te devolvido...
O tempo passou e o moletom da cor verde se tornou um verdadeiro estorvo no meu quarda-roupa... Era uma lembrança viva e esparramada no meu espaço. Seria muito chato voltar a falar contigo só pra devolver o canguru, você poderia achar que eu estava arrumando desculpa.... Meu orgulho venceu. Não te procurei.
Uma amiga veio me visitar e mexendo nas minhas roupas encontrou o tal do moletom. Como ainda estava novo, ela perguntou de quem era e disse que o seu namorado adorava a marca do canguru. Chegou a tirar uma foto pelo celular e mandar para o ele, que era atleta patrocinado pela marca rival.
-Leva. –Falei. Feliz da vida por ter me livrar da peça e ainda deixar minha amiga contente.
Ela levou consigo o meu ”probleminha”.
No outro dia ela me aparece com o canguru verde na mão! Edu, seu namorado, não poderia usar aquela marca, estava proibido no seu contrato com o patrocinador.
Concordei. Já estava desconfiada, era eu que estava apegada ao verdinho ou ele a mim? Que besteira! –Pensei.
Resolvi fazer a doação para o meu primo. Minha vó veio nos visitar e eu a incumbi de levar o moleton pra cidade dele, que é a mesma cidade onde ela mora.
O verdinho então partiu. Quase do mesmo jeito que chegou, sem muitos avisos, num dia de garoa fria de maio. “Pegou” o Unesul e partiu pra Santo Antonio da Patrulha.
Passa mais uma semana.Toca a campainha. Chega a minha vó, sorridente, carregando sacolas com cuca, geléia caseira, bolo, pão de ló e... Uma sacola da Renner!
-Carol! Nem cheguei a dar o moletom pro teu primo porque agora ele tá numa fase de se vestir como rockeiro, só usa preto. Que judiaria... Mas tu pode usar! Esse verde combina com os teus olhos!
E combina mesmo! Decidi. Ele vai ficar comigo, dá pra usar em casa, ainda mais nesses dias frios que andam fazendo em Porto Alegre.
Semana passada fizemos um churrasco aqui, vieram os antigos moradores dessa casa (que hoje são nossos amigos) e seus dois filhos. Matheus e Rafaela.
Eu havia me esquecido que eles iam nos visitar, quando tocaram a companhia, levei um verdadeiro susto! Tirei o moleton verde, joguei no sofá, corri pro quarto e coloquei outro casaco. Conversa vai, conversa vem, convidei a Rafa e o Matheus pra tomar um chima na sala, pois o almoço ainda ia demorar. Matheus teve praticamente um deja vu ao chegar na sala: Carolzinha! Eu tinha um moletom igual a esse! Acredita que a empregada queimou?
-Leva. –As palavras saíram sem o meu controle.
-Capaz!
Ele começou a rir... E tinha que rir mesmo! Matheus cursava medicina numa faculdade particular, é de família abastada, devia ter uns 50 abrigos parecidos (e novos) em casa.
-Leva. Repeti. Acabei por criar um clima tenso e bizarro ao mesmo tempo. Já estava fora de mim com essa história de moletom.
Rafaela, me fitou com cara de espanto.
-Leva, leva... Pode levar!
Não preciso nem contar o final. Meu amigo Matheus não levou o moletom e eu continuo sem espaço na segunda prateleira de roupas de inverno do meu guarda-roupa. Mas sabe que ele até que combina com os meus olhos...
sábado, 10 de março de 2012
Fragmentos
Quando não estamos concentrados no que estamos fazendo, o pensamento vaga. Aí você entra e eu me retiro para admirar, mesmo que pelo simples pensamente, a tua existência conturbada. Aquela lembrança distante e discreta. A ânsia de ouvir te falar no outro dia... E isso acontece com todo mundo- penso. Variando apenas o tipo de pensamentos, a freqüência e a importância que cada um deles tem. (Mas que introdução mais tosca, já estou a repetir comigo mesma.)
Sabe quando certos assuntos pedem introdução, muito mais por caráter de necessidade, do que por qualquer outro motivo¿
(Não enrola, “fala”.)
Enfim... Foi mais ou menos assim o princípio do “quase amor”. Na companhia dele me vinham todo tipo de pensamento possível, numa alta freqüência, ordenados pelas suas aventuras. Um tipo novo de excitação.
Ele chegou, com aquele jeitinho paciente, se aproximou com a velha postura: olhos atentos e corpo relaxado. Sorriu durante uns dez minutos, talvez mais. Até já ouvi comentários sobre seus sorrisos, calculados estrategicamente para cada pessoa ou situação. Porém eu diria que comigo ele era espontâneo. Não somente as risadas, mas o conjunto. Uma harmonia perfeita, aquele tipo de pessoa que, transmitindo entusiasmo por tudo, sente-se bem em qualquer lugar e nos coloca na mesma situação.
Decidi me deixar viajar com ele.
E todas as coisas que mereço resumo, não, mentira! Não resumo... Não aponto, nem penso muito sobre o que não conheço!
Gosto de ti como uma canção de batida alegre, meio pop, meio...
Deixei...
Dois minutos depois, estava aqui. Só, olhando para o ventilador, que desligado, produzia um imenso silêncio nesse pequeno espaço..O ontem perfeito, pouco tempo, algumas horas, cenas se arrastando nesse espaço lúdico, que é teu também.
Sem querer passar mensagem alguma, quando o que aprendi com você foi justamente deixar a realidade vir até o nosso sonho.
O despertar nos dias frios, a mão sempre quentinha e o coração que, mesmo acostumado, continuava a bater forte na segunda semana do mês de maio.
Satisfação dos amantes e apreciadores de bons livros. Fieis somente aos prazeres evidentes, deixando as regrinhas chatas para os corretos.
Fraqmentos.
Jurei não contar uma história tão longa. Então não há maiores definições, previsões, análises... E também não existem mais versos, belos ou perdidos. Só o encontro com o teu suspiro disfarçado de amor novo, de novo.
Sabe quando certos assuntos pedem introdução, muito mais por caráter de necessidade, do que por qualquer outro motivo¿
(Não enrola, “fala”.)
Enfim... Foi mais ou menos assim o princípio do “quase amor”. Na companhia dele me vinham todo tipo de pensamento possível, numa alta freqüência, ordenados pelas suas aventuras. Um tipo novo de excitação.
Ele chegou, com aquele jeitinho paciente, se aproximou com a velha postura: olhos atentos e corpo relaxado. Sorriu durante uns dez minutos, talvez mais. Até já ouvi comentários sobre seus sorrisos, calculados estrategicamente para cada pessoa ou situação. Porém eu diria que comigo ele era espontâneo. Não somente as risadas, mas o conjunto. Uma harmonia perfeita, aquele tipo de pessoa que, transmitindo entusiasmo por tudo, sente-se bem em qualquer lugar e nos coloca na mesma situação.
Decidi me deixar viajar com ele.
E todas as coisas que mereço resumo, não, mentira! Não resumo... Não aponto, nem penso muito sobre o que não conheço!
Gosto de ti como uma canção de batida alegre, meio pop, meio...
Deixei...
Dois minutos depois, estava aqui. Só, olhando para o ventilador, que desligado, produzia um imenso silêncio nesse pequeno espaço..O ontem perfeito, pouco tempo, algumas horas, cenas se arrastando nesse espaço lúdico, que é teu também.
Sem querer passar mensagem alguma, quando o que aprendi com você foi justamente deixar a realidade vir até o nosso sonho.
O despertar nos dias frios, a mão sempre quentinha e o coração que, mesmo acostumado, continuava a bater forte na segunda semana do mês de maio.
Satisfação dos amantes e apreciadores de bons livros. Fieis somente aos prazeres evidentes, deixando as regrinhas chatas para os corretos.
Fraqmentos.
Jurei não contar uma história tão longa. Então não há maiores definições, previsões, análises... E também não existem mais versos, belos ou perdidos. Só o encontro com o teu suspiro disfarçado de amor novo, de novo.
sábado, 7 de janeiro de 2012
O Sonho e o Pescador
Lembro pouco, mas acho que era eu. Estava próxima de um barco simples, numa praia pequena e pouco movimentada. Como se a minha vida fosse um filme.
Agora é a vez do sim- ele me disse. Um jovem pescador, usava óculos ,cabelos compridos e presos. Um olhar terno que por momentos se ofuscava por um meio sorriso... Sentia sem saber como e nem o porquê: Era um sábio calçando chinelos. Há essas alturas do sonho, parecia perfeitamente adequado confiar em um homem que, trajando vestes simples, sobrevivia apenas com a venda dos seus peixes. Ele não era um santo salvador e nem eu parecia querer. Por mais perdida que estivesse, queria apenas um ombro amigo.
Ele insistiu:- Agora é a vez do sim. Larguei minha pesada bolsa no chão, torcendo para que junto com meus documentos, deixasse pra trás a saudade que me perseguia como uma cicatriz.
Ele sorriu mansamente, como quem já tivesse previsto minha atitude. Sussurrou novamente, dessa vez questionando: - Sim?
Então entrei no barco e me entreguei, pensando cada vez menos em problemas e nas minhas convenções, deixando-me levar por novos instintos. Enfim disse sim.
Agora é a vez do sim- ele me disse. Um jovem pescador, usava óculos ,cabelos compridos e presos. Um olhar terno que por momentos se ofuscava por um meio sorriso... Sentia sem saber como e nem o porquê: Era um sábio calçando chinelos. Há essas alturas do sonho, parecia perfeitamente adequado confiar em um homem que, trajando vestes simples, sobrevivia apenas com a venda dos seus peixes. Ele não era um santo salvador e nem eu parecia querer. Por mais perdida que estivesse, queria apenas um ombro amigo.
Ele insistiu:- Agora é a vez do sim. Larguei minha pesada bolsa no chão, torcendo para que junto com meus documentos, deixasse pra trás a saudade que me perseguia como uma cicatriz.
Ele sorriu mansamente, como quem já tivesse previsto minha atitude. Sussurrou novamente, dessa vez questionando: - Sim?
Então entrei no barco e me entreguei, pensando cada vez menos em problemas e nas minhas convenções, deixando-me levar por novos instintos. Enfim disse sim.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
A Dor, auxiliar do Ser Humano
A Dor, auxiliar do Ser Humano
“Nasci velha”, uma idosa que de nada aprendeu com o tempo. Doente na alma, infeliz nos hábitos. Uma ignorante carregando na corcunda o peso da culpa.
Fui crescendo e descobrindo, aos trancos e barrancos, os motivos de uma “criança” carregar o amargo que muitos velhos não se atrevem a guardar. Fui procurando o fundamento das dores na coluna, ao invés de simplesmente dar roupagens mais belas às dorzinhas incômodas.
Viajei entre montanhas respirando poeira e tossindo orgulho. Joguei-me entre penhascos do orgulho próprio, querendo encontrar fôlego. Comi suculentas baratas, achando que outros andarilhos perdidos, como eu, estavam a oferecer um banquete. O fim do poço não existe. O que existe é a descrença na nossa própria caminhada.
Descobri o brilho da noite, as festas regadas a ilusão momentânea, a beleza, o carinho que não vinha, a ânsia de esperar o outro dia mais feliz só porque via ele nascer, como muitos outros também o faziam.
Aprendi o gosto do afeto. Fui amada, traída e machucada. Quebraram meu teto frágil, mas machucaram muito mais o meu coração. Do início da paixão, me sobrou apenas uma mancha escura na história e uma vida para ser reconstruída, mais uma vez.
Muitas vezes fui apontada com razão. Mas quem diz que é a razão que constrói o universo de cada ser humano¿ Tive que provar a minha inocência a custo de muitas perdas.
A dor me fez crescer, mas que novidade, é assim pra todo mundo!
A dor me ensinou a me levar a sério para, só depois, pensar em abraçar outro alguém com serenidade. A falar manso, a sorrir do que parece tolo, a amar com toda a força e principalmente humildade.
A dor é amiga, uma aliada. A dor se faz presente em nossas vidas, decorrente dos fatos da vida ou não. Não fujo dela- como muitos aconselham, primeiramente a suporto, para depois trabalhá-la como uma artesã de vasos de barro. Também não espero encontrar compreensão, como numa “feira de acessórios” para pessoas felizes.
Quem nunca sofreu desse jeito, sofreu de outra forma e aprecia, até sem se dar conta, a arte que só a dor inspira em alguém a escrever. As músicas nos mostram isso, só muda o ritmo. Quem goza de felicidade extrema ou euforia absoluta pode usar do sofrimento alheio, para dosar as suas atitudes também.
Finalmente, quem acredita na alegria fabricada, pode fazer como eu na “infância”: Viver o amargo do orgulho como um idoso rancoroso, num corpo jovem e saudável. Estar disposto a aprender não tem idade.
Ser um humano verdadeiramente feliz consigo mesmo é realmente um bônus da experiência com a vida, é um presente, um privilégio gratuito!
“Nasci velha”, uma idosa que de nada aprendeu com o tempo. Doente na alma, infeliz nos hábitos. Uma ignorante carregando na corcunda o peso da culpa.
Fui crescendo e descobrindo, aos trancos e barrancos, os motivos de uma “criança” carregar o amargo que muitos velhos não se atrevem a guardar. Fui procurando o fundamento das dores na coluna, ao invés de simplesmente dar roupagens mais belas às dorzinhas incômodas.
Viajei entre montanhas respirando poeira e tossindo orgulho. Joguei-me entre penhascos do orgulho próprio, querendo encontrar fôlego. Comi suculentas baratas, achando que outros andarilhos perdidos, como eu, estavam a oferecer um banquete. O fim do poço não existe. O que existe é a descrença na nossa própria caminhada.
Descobri o brilho da noite, as festas regadas a ilusão momentânea, a beleza, o carinho que não vinha, a ânsia de esperar o outro dia mais feliz só porque via ele nascer, como muitos outros também o faziam.
Aprendi o gosto do afeto. Fui amada, traída e machucada. Quebraram meu teto frágil, mas machucaram muito mais o meu coração. Do início da paixão, me sobrou apenas uma mancha escura na história e uma vida para ser reconstruída, mais uma vez.
Muitas vezes fui apontada com razão. Mas quem diz que é a razão que constrói o universo de cada ser humano¿ Tive que provar a minha inocência a custo de muitas perdas.
A dor me fez crescer, mas que novidade, é assim pra todo mundo!
A dor me ensinou a me levar a sério para, só depois, pensar em abraçar outro alguém com serenidade. A falar manso, a sorrir do que parece tolo, a amar com toda a força e principalmente humildade.
A dor é amiga, uma aliada. A dor se faz presente em nossas vidas, decorrente dos fatos da vida ou não. Não fujo dela- como muitos aconselham, primeiramente a suporto, para depois trabalhá-la como uma artesã de vasos de barro. Também não espero encontrar compreensão, como numa “feira de acessórios” para pessoas felizes.
Quem nunca sofreu desse jeito, sofreu de outra forma e aprecia, até sem se dar conta, a arte que só a dor inspira em alguém a escrever. As músicas nos mostram isso, só muda o ritmo. Quem goza de felicidade extrema ou euforia absoluta pode usar do sofrimento alheio, para dosar as suas atitudes também.
Finalmente, quem acredita na alegria fabricada, pode fazer como eu na “infância”: Viver o amargo do orgulho como um idoso rancoroso, num corpo jovem e saudável. Estar disposto a aprender não tem idade.
Ser um humano verdadeiramente feliz consigo mesmo é realmente um bônus da experiência com a vida, é um presente, um privilégio gratuito!
domingo, 26 de junho de 2011
O que tem por trás dessa fachada de boa menina que não quebra um prato ?
Diante da imensidão de acontecimentos que acompanhamos pelos diversos meios de comunicação,somos um pingo de chuva, talvez menos, um grãozinho de areia no deserto. Quem não quebra os seus pratos? Ou os pratos dos outros? Essa vai pra minha xará. Quase xará... A não ser por uma letra, insignificante.Somos xarás e está decidido... rsrs. Esse tempo ruim não inspira grandes idéias ou abstrações, mesmo estando no local certo e com as melhores cias. :)
O que tem por trás dessa fachada de boa menina que não quebra um prato?
O que sobra nos dias frios de chuva, nas noites sem companhia, nos domingos, nas madrugadas que não descansas, que tenta sono em desespero, respira alívio momentâneo... Tão rápido como as gotas de uma garoa, não enxergas os pingos, pouco sente o úmido, mas continua a caminhar, na ausência de um teto para se proteger.
A boa menina que sabe demais e que não controla todos os seus impulsos. A sabedoria do universo é quase absoluta ao dar tanto senso de capacidade e de percepção a uma garota que foge da regra involuntariamente, que tem tudo e no entanto vive num mar de correntes de emoções diversas, sem muita previsão, somente com uma bula e um mapa antigo e defasado para dar uma falsa segurança de localização.
Por que não quebra os pratos, menina? Ora, o tempo e a experiência apontam para a certeza de que certas pessoas não podem se dar ao luxo de quebrar os pratos, nem uma vez sequer. Essas pessoas não quebram um ou dois pratos, quebram todos. Cortam-se, por conseqüência se machucam, podem até se esquecer de estancar o sangramento. Não juntam os cacos dos pratos, muito menos colocam no lixo. Não colam os pedaços partidos e também não compram louças novas. Para esses sujeitos, quebrar um prato, é um ritual muito mais grave e trabalhoso do que parece.
A boa menina evita secar a louça justamente para não correr o risco de quebrá-la. A boa moça sorri, agradece e torce, em silêncio, pro tempo bom voltar logo e as garoas frias do inverno darem uma trégua.
O que tem por trás dessa fachada de boa menina que não quebra um prato?
O que sobra nos dias frios de chuva, nas noites sem companhia, nos domingos, nas madrugadas que não descansas, que tenta sono em desespero, respira alívio momentâneo... Tão rápido como as gotas de uma garoa, não enxergas os pingos, pouco sente o úmido, mas continua a caminhar, na ausência de um teto para se proteger.
A boa menina que sabe demais e que não controla todos os seus impulsos. A sabedoria do universo é quase absoluta ao dar tanto senso de capacidade e de percepção a uma garota que foge da regra involuntariamente, que tem tudo e no entanto vive num mar de correntes de emoções diversas, sem muita previsão, somente com uma bula e um mapa antigo e defasado para dar uma falsa segurança de localização.
Por que não quebra os pratos, menina? Ora, o tempo e a experiência apontam para a certeza de que certas pessoas não podem se dar ao luxo de quebrar os pratos, nem uma vez sequer. Essas pessoas não quebram um ou dois pratos, quebram todos. Cortam-se, por conseqüência se machucam, podem até se esquecer de estancar o sangramento. Não juntam os cacos dos pratos, muito menos colocam no lixo. Não colam os pedaços partidos e também não compram louças novas. Para esses sujeitos, quebrar um prato, é um ritual muito mais grave e trabalhoso do que parece.
A boa menina evita secar a louça justamente para não correr o risco de quebrá-la. A boa moça sorri, agradece e torce, em silêncio, pro tempo bom voltar logo e as garoas frias do inverno darem uma trégua.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Palavras Escancaradas
Entre o concreto e o abstrato que toco,
Perdi minha cena pro contado direto.
Forjei recados, apaguei os versos, engoli o tossi de novo e de novo, as velhas mágoas.
Somos oportunidades, dúvidas e afinadades.
Somos opostos aliados...
Somos o que desejamos e o que somos também.
Fui escancarada ao te espiar nas vitrines dinâmias da vida,
Apontei e torci pra ser escolhida, de novo.
De novo...
Quando acontece assim,
Eu não explico, nem assumo.
E só vivo de encontro, para o encontro,quando ele acontece.
Dentre tantos curiosos, desavisados e invejosos,
Fica a certeza do instante aproveitado de mais dois aprendizes no mundo.
Do resto que não presta, quero o afago da distância e o prazer da tua cia.
Perdi minha cena pro contado direto.
Forjei recados, apaguei os versos, engoli o tossi de novo e de novo, as velhas mágoas.
Somos oportunidades, dúvidas e afinadades.
Somos opostos aliados...
Somos o que desejamos e o que somos também.
Fui escancarada ao te espiar nas vitrines dinâmias da vida,
Apontei e torci pra ser escolhida, de novo.
De novo...
Quando acontece assim,
Eu não explico, nem assumo.
E só vivo de encontro, para o encontro,quando ele acontece.
Dentre tantos curiosos, desavisados e invejosos,
Fica a certeza do instante aproveitado de mais dois aprendizes no mundo.
Do resto que não presta, quero o afago da distância e o prazer da tua cia.
quarta-feira, 9 de março de 2011
Orgulho de ser Mulher

Mulher. Palavra bonita, não tão somente no dia internacionalmente comemorado!
Mulher é muita coisa pra caber numa palavrinha só. Mulher é poesia, é prosa, é verso, é gargalhada, é superação, é grito, choro, TPM, amor, gratidão, raiva, excitação.
Mulher não é somente um amontoado de hormônios num sistema biológico complexo, também não é somente um corpo, seja ele bonito ou não, não é só emoção a flor da pele (há mulheres "mais macho do que muito homem", como diria Ney Matogrosso!), existem mulheres que nem mulheres são... As meninas mulheres, as mulheres que se sentem como meninas.
Mulher não é muito amiga da lógica, embora faça esforço digno de admiração para alcançar a praticidade masculina. Vejam só, menstruar não soa como normal, nem no mundo contemporâneo, nem nos tempos das cavernas. Sangrar mensalmente assim! A troco de que¿ Não é normal, é comum. TPM então é novidade em argumento para defesa das moças em tribunais do mundo a fora. Num julgamento, a culpa da acusada é avaliada de forma diferente e até com alguma tolerância, se for comprovado que a mulher estava “naqueles dias” quando cometeu o crime. TPM não é normal, é comum. Um fato, um bônus desnecessário, uma mudança, mesmo que sutil, no comportamento feminino.
Mulher também é sonho. Sonha mesmo é acordada, concretiza suas metas com toda a habilidade interpessoal que somente um ser sensível e dotado de tato teria. Mulher sabe como tratar o ser humano. Enquanto o homem tem estrutura corporal mais forte, a mulher de verdade ganha na estratégia humana e leal. Não é a toa que a mulher vem conquistando, gradativamente, melhores postos de trabalho e não foi a Revolução Sexual a responsável por isso. Ela apenas abriu as portas. São as verdadeiras mulheres que mantém e expande, com muita elegância, essa brecha.
A mulher pode ser bela. Até a beleza podemos relativizar até certo ponto. Mas, não é boneca. Mulher se pinta como uma, cuida dos cabelos, faz as unhas, se arruma, coloca batom e adora um saltinho alto. Mas não é uma Barbie ou Susie, de fato. Nem nunca vai ser, nem de louça muito menos de corda. Mulher de verdade é isso e muito mais. Cabe ao homem entender, explorar, descobrir tantos recursos. Pros mais confiantes e astutos, nem manual precisa.
A valorização da mulher como tal, é uma novidade. Pelo ponto de vista histórica. Há 50 anos... Quem diria, meninas (e meninos)!
Mulher é graça, chamego, rebolado, descoberta e evolução. Mulher é mais que o sexo feminino em si, é uma conquista diária, se nasce menina e vira mulher, num processo de amadurecimento geral.
Mulher merece cada momento do dia dedicado a ela, pois por mais clichê que seja dia de mulher é todo dia! Ser mulher é um orgulho difícil de explicar, um desafio constante, um mar de águas calmas, agitadas e correntes marítimas diversas, uma bênção até pras mulheres e homens que não acreditam em Deus, um prazer, uma responsabilidade gratificante.
Mulheres.... Vocês, nós somos lindas! E não precisamos de um espelho pra isso, não somos apenas a confirmação dos outros, somos muito mais, somos um leque de possibilidade a serem, cuidadosamente, construídas. Podemos escolher nosso amor, mesmo sendo maioria, em proporção. Os números não explicam o amor que sentimos por nós mesmas. As dificuldades são muitas, mas nós que decidimos como encará-las. Somos fortes, resistentes, amáveis e corajosas. Somos mulheres livres pra sermos mais do que imaginamos, somos amigas, capazes e deliciosamente independentes, mesmo quando acompanhadas.
É muito bom ser mulher. Parabéns pelo nosso dia!
